Sociedade civil cria Gabinete de Crise para monitorar desdobramentos e reivindicar segurança e defesa de direitos

Acompanhar as ações relacionadas ao rompimento da barragem de rejeitos da Vale na mina Córrego do Feijão, exigir a punição dos responsáveis e a defesa dos direitos das vítimas, apoiar e propor medidas que evitem novos desastres e tragédias, e dar visibilidade aos impactos da mineração nas comunidades, ecossistemas e segurança hídrica do estado e às alternativas a esse modelo. Estes são alguns dos objetivos do Gabinete de Crise -Sociedade Civil criado em fevereiro de 2019, em Belo Horizonte, por uma articulação de diversos cidadãos, movimentos socioambientais, pesquisadores e ativistas.

O Gabinete busca a atualização de informações, a partir do olhar da sociedade civil, sobre os desdobramentos do rompimento da barragem da Vale na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, e a situação das comunidades afetadas e do rio Paraopeba. Outras questões abordadas são o papel da empresa e dos diversos atores após a tragédia e a perspectiva quanto à segurança hídrica de Belo Horizonte e sua região metropolitana e ao futuro diante da possibilidade de novos desastres relacionados à ruptura de barragens de rejeitos da mineração.  

Participaram do lançamento do Gabinete de Crise – Sociedade Civil o médico, coordenador do Projeto Manuelzão/UFMG, membro do Instituto Guaicuy – SOS Rio das Velhas e presidente do Fórum Mineiro de Comitês de Bacias Hidrográficas, Marcus Vinícius Polignano; o geógrafo, especialista em direito ambiental, mestre e doutor em geografia e análise ambiental, Rodrigo Lemos; a jornalista e produtora rural, moradora da comunidade de Jangada e presidente da Associação Comunitária, integrante do Movimento Águas e Serras de Casa Branca e da Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale, Carolina de Moura Campos, e a ambientalista, integrante do Movimento pelas Serras e Águas de Minas, SOS Serra da Piedade e Movimento pela Preservação da Serra do Gandarela e conselheira da Câmara de Atividades Minerárias do Conselho de Política Ambiental de Minas Gerais representando o Fonasc-CBH, Maria Teresa Corujo.

Não calar a voz frente ao que não foi acidente

“O modelo de mineração que impera hoje em Minas Gerais preocupa: ou enfrentamos o problema ou mais pessoas, rios e biodiversidade serão soterrados pela lama”, alerta o médico Marcus Vinícius Polignano, coordenador do Projeto Manuelzão/UFMG e integrante do novo Gabinete.

Ele explica que o Gabinete de Crise – Sociedade Civil nasce em contraposição ao Gabinete de Crise do Estado. “O objetivo é reivindicar o controle social das ações desenvolvidas em torno do crime ambiental promovido pela companhia Vale, no município de Brumadinho, e em toda a bacia do Paraopeba, na data de 25 de janeiro de 2019, não se esquecendo do rompimento de Fundão em Mariana, na bacia do Rio Doce, há três anos”, ressalta Polignano.

“As implicações humanas, sociais, ambientais e econômicas da lama tóxica, que tirou a vida de centenas de trabalhadores e moradores de Brumadinho, de milhões de outros seres vivos e impactou de forma tão brutal um território e os modos de viver de sua gente, não podem jamais ser esquecidas e terminar em impunidade como ocorreu com o crime da Samarco/Vale/BHP Billiton”, alerta Maria Teresa. O principal instrumento do Gabinete é uma plataforma digital (gabinetedasociedade.org) que já está disponível e em processo de finalização de inserção de conteúdo. “Ela será alimentada com informações, análises críticas e propostas de ação para que haja democratização no acesso pela população e, assim, haja o permanente controle, pressão social e mobilização”, comenta Maria Teresa Corujo.

Por transparência e justiça

O Gabinete de Crise – Sociedade Civil nasce com a missão de contribuir para que haja transparência e justiça nos desdobramentos após o crime da Vale, responsável pela tragédia em Brumadinho. A partir de uma visão crítica sobre o papel de cada ente, objetiva estabelecer o controle e a pressão social, assim como propor e apoiar ações de mobilização em defesa de direitos das vítimas e do meio ambiente, de responsabilização de todos os envolvidos e de construção de arcabouço legal que priorize a coletividade e a natureza e não o interesse privado, como a única forma para que tragédias como esta nunca mais ocorram no estado de Minas Gerais.

A iniciativa pretende também monitorar as ações e cobrar as responsabilidades de todos os envolvidos, trazer as versões dos fatos na visão da sociedade, expor posicionamentos, promover debates em especial no que se refere à mineração, modo de produção, licenciamento ambiental e segurança de barragens de rejeitos. Objetiva também trazer opiniões diversas da sociedade, divulgar agenda dos movimentos, buscar a transparência de todos os fatos, divulgar documentos e pesquisas que auxiliem no debate e acompanhamento das ações e dar visibilidade a outros modelos de economia que a sociedade merece ter em Minas Gerais.


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